Psicóloga Carla Fernanda Sá

Como a escola pode e deve desempenhar um importante trabalho na prevenção da depressão infantil?

Setembro Amarelo | A importância da escola no diagnóstico da depressão infantil

O mês de setembro já está no fim e, neste ano, a Inforgeneses deu uma atenção especial à campanha Setembro Amarelo, realizada em todo o Brasil com o objetivo de prevenir o suicídio. O Blog bateu um papo com a psicóloga Carla Fernanda Sá, especialista em psicologia infantil e doutora em Ciências do Comportamento pela Universidade de Brasília, para falar sobre um tema que, muitas vezes, passa à margem das discussões sobre saúde mental: a depressão na infância e adolescência e o importante papel das escolas no diagnóstico desses casos.

Ao contrário do que se possa imaginar, explica a psicóloga, o Brasil registra um alto índice de depressão nessas duas fases; algo em torno de 1% a 3%, conforme apontam os estudos realizados desde a década de 1970 (ex. Bahls, 2002). Os números que já são significativos podem ser maiores. "Infelizmente, a maioria dos casos não chega a ser identificado porque os sintomas nessa fase podem se apresentar de maneira diferente da fase adulta", explica Carla.

Por isso, a profissional acredita que a escola pode e deve desempenhar um importante trabalho. "Alguns estudos têm demonstrado que a escola é a primeira a perceber [os quadros depressivos]. Quando a família acha que, muitas vezes, aquilo é uma fase ou confunde aquela irritação da criança, impaciência, com um “mal” comportamento, por exemplo, a escola percebe que isso pode estar se tornando mais frequente, que a criança vem apresentando mudanças de comportamento significativos na escola", comenta ao destacar a relevante papel dos profissionais da educação na identificação desses casos e no consequente contato com os pais e encaminhamento da criança ou adolescente para um acompanhamento profissional. 

O diagnóstico é dado por um psiquiatra ou neuropediatra, mas é possível observar alguns fatores de risco para doença. Segundo a psicóloga, esses fatores podem ser divididos em quatro grupos principais: familiares (presença de pessoas com depressão na família, ou outros transtornos psiquiátricos, comportamento impaciente com flutuações de humor); sociais (educação, saúde,  residência e segurança); abuso físico, sexual ou psicológico; exclusão e discriminacao, perdas de familiares e ou de amigos. 

Ainda de acordo com a psicóloga, muitas vezes, a própria família pode ser um fator de risco e isso ocorre ou por ter práticas de uma educação punitiva ou até mesmo por negligenciar o cuidado com os pequenos. "Portanto, a escola é um agente protetivo. Ela pode alertar as famílias e fazê-las buscar uma ajuda quando elas ainda não perceberam os sinais de um quadro depressivo na criança", finaliza.

Como a escola pode e deve desempenhar um importante trabalho na prevenção da depressão infantil?

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